Há de ser tudo da lei

Eleição para ditadores - Crônica





O povo de democracialópolis estava desacreditado da democracia. Diziam que pelo voto não se mudaria nada. Estavam cansados de ver notícias sobre corrupção e altos gastos públicos. Queriam o fechamento do congresso e a intervenção de uma autoridade com poderes para conduzir o país da forma como bem entendesse.

Foram para as ruas numa manifestação democrática pedindo o fim da democracia. Levantaram cartazes e faixas. Queriam a mudança. Alguém para colocar ordem no país. E gritavam "Fora políticos" "Fechem o Congresso"."Chega de corrupção". "Queremos um ditador para nos governar". Nesse momento uma pessoa no meio da multidão comentou:

- Mas quem será o ditador?
- Nós já temos um nome - alguém rapidamente respondeu.
- Que ótimo! Ele trabalha com o quê?
- É político, mas é um patriota. Fez carreira militar.
- Hummm, mas eu gostaria de um ditador que fosse um empresário.

Nesse momento, várias pessoas que estavam na manifestação participaram da conversa e comentaram:

- Eu gostaria de um ditador que implantasse o liberalismo econômico.
- Eu gostaria de um ditador que fosse formado em economia com mestrado em gestão pública - disse um outro manifestante.
- Eu gostaria de um ditador que distribuísse a riqueza e colocasse os proletariados no poder - disse um outro.
- Eu gostaria de um ditador que obrigasse todas as pessoas a seguirem a minha religião - disse um quarto manifestante.


Diante desse impasse, eles decidiram que deveriam fazer uma eleição para escolher o ditador que agradasse a maioria da população de democracialópolis.

Então os grupos com diferentes interesses se reuniram para escolher seu candidato. Doze candidatos concorreram. Um se dizia anarcocapitalista, o outro se dizia liberal, o terceiro era conservador, o quarto era progressista, o quinto era religioso, o sexto se dizia socialista, o sétimo se dizia comunista, o oitavo se dizia anarquista, o nono se dizia sem religião, o décimo era representante da classe dos trabalhadores, o décimo primeiro era militar e o décimo segundo representava os anarcocomunistas.

Para ganharem a preferência da população, os candidatos fizeram campanha, investiram em marketing, propaganda política na TV, recrutaram comentaristas na internet, entre várias outras coisas. Houve grandes discussões por todo o país.

Após algumas semanas, chegou finalmente o dia das eleições. O resultado foi empate técnico. Como solução a esse impasse, eles resolveram dividir o território de democracialópolis em 12 partes iguais lideradas pelos diferentes ditadores. E assim cada um pode migrar para o local onde seriam conduzidos pelo seu ditador favorito. Sem mídia, sem crítica, sem ponto de vista diferente.
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